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faixa Deus é amor

É chegada a hora de se encerrar a crueldade na Terra, tempo de todos os filhos de Deus unirem-se
num mesmo afeto,
num mesmo caminho e de mãos maiores auxiliarem pequenas mãos, pequenas patas, pequenos pés.

São tempos de esquecermos o corpo e vermos o espírito, esquecermos as diferenças evolutivas e vivenciarmos o amor, pois é esta a vontade de Deus, uma vez que Deus é o amor puro,
em todas as suas formas ♥

 

Umbanda: Mitos e Realidades

Por Iassan Ayporê Pery

 

Podemos observar que as pessoas que procuram a Umbanda o fazem, em sua maioria, para resolverem problemas de ordem material, exigindo um resultado imediato e, quando não encontram, creditam no Terreiro ou ao Dirigente e Médiuns, quando não à própria Umbanda, o motivo do seu fracasso. Por que isso acontece? Acreditamos que a culpa disso seja dos próprios umbandistas que não esclarecem que a Umbanda é uma religião digna e nobre como todas as outras - se omitem ou são os primeiros a dar “oferendas” para obterem favores materiais das Entidades.

Por outro lado, sabemos que a Umbanda lida com vários elementos e uma variedade enorme de espíritos, e também que ela tem a capacidade de penetração nos mais variados campos do Astral; consequentemente, havendo merecimento e empenho, muito problemas acabam realmente por ter uma “solução mais rápida”, mas somente aos que merecem e o fazem por merecer.

Qual é o mistério da Umbanda? Amor e Caridade, pura e simplesmente. A ritualística que cada terreiro de Umbanda segue, somente serve como um leque de possibilidades para os diversos anseios de culto de cada um. Na verdade, quem procura um Terreiro de Umbanda deveria apenas se preocupar se ele é sério, se tem como objetivo principal a caridade e o amor ao próximo. Essa é a verdadeira Umbanda.

Vamos aqui tentar elucidar algumas dúvidas que encontramos por parte da maioria dos frequentadores e alguns médiuns de Umbanda. Serão perguntas e respostas que escutamos frequentemente nos Terreiros. Não julguem a qualidade das perguntas porque se pra você a pergunta é simples ou boba, para outro poderá não ser. As respostas, sim, são simples porque assim é a Umbanda. Então, vamos lá:

1. Pode uma pessoa praticar o mal sob influência de espíritos?
R: Sim, pode, tanto quanto pode praticar o bem também influenciada pelos espíritos. Mas estejam certos de que para que as influências negativas ou positivas atuem em nossas vidas devemos estar sintonizados com tais vibrações. Portanto, orai e vigiai. Você tem o seu livre arbítrio e é o único responsável pelas companhias que atrair, tanto carnais como espirituais, e que permitir atuar em sua vida.

2. Todos somos médiuns?
R: Todos nós somos sensitivos, mas alguns em um grau mais elevado que o outros. Esses diferentes níveis de sensibilidade podem ser compreendidos como as diversas formas de mediunidade afeta a missão do indivíduo aqui na Terra. Alguns são médiuns de incorporação, outros intuitivos, videntes, audientes, de efeitos físicos, de psicografia, todos somos passíveis de desenvolvimento de acordo com o livre arbítrio de cada um.

3. O médium, quando está incorporado, sabe tudo o que está acontecendo e o que a pessoa está falando com a Entidade?
R: Normalmente sim. A grande maioria dos médiuns é consciente ou semiconsciente, ou seja, sabem o que está acontecendo, mas não tem ingerência sobre as atitudes da Entidade.
Normalmente, logo após a consulta, o médium ainda lembra de alguma coisa, que vem como “flash”, mas logo depois vão se esquecendo aos poucos. Somente médiuns inconscientes é que não sabem o que se passou durante uma consulta, mas é muito raro este tipo de mediunidade.
Mas, se a sua preocupação é se você pode conversar qualquer assunto com a Entidade e o médium que a está incorporando não vai contar pra ninguém, isso aí dependerá da índole do médium e da Casa em que ele trabalhe. Porém, não se preocupe, pois o princípio básico de uma casa de Umbanda séria é o sigilo em respeito às consultas e o respeito com os problemas de cada um.
 
4. Se uma pessoa tem que trabalhar mediunicamente e se a mesma não entrar para um Centro, ela poderá receber um Guia ou Entidades na rua, em casa, no trabalho ou em outro lugar?
R: Não. Uma Entidade Guia ou Protetora “de Luz” não irá, de forma alguma, expor a pessoa ao ridículo ou a situações constrangedoras, incorporando em lugares públicos. O fato é que se a pessoa é médium e tem como missão trabalhar mediunicamente e opta por não desenvolver a sua mediunidade, isso não faz com que ela deixe de ser médium. O que acontece é que a sua mediunidade ficará embrutecida e desamparada, expondo-se à ação de espíritos trevosos que poderão, esses sim, se manifestar em locais públicos, colocando a pessoa em situações embaraçosas e de risco.
A Umbanda ou outra religião qualquer serve para nosso crescimento moral e espiritual e como um elo de religação com Deus. Frequentar ou participar ativamente de uma religião deve ser uma opção particular de cada um e não uma imposição.
Devemos saber que pelo fato de termos uma mediunidade mais aflorada, nos tornamos imãs, atraindo toda e qualquer energia que estiver nos ambientes aos quais frequentarmos. O desenvolvimento dessa mediunidade se faz necessário para aprendermos a lidar com essas energias e controlar as manifestações e, também, de termos a oportunidade, através do trabalho mediúnico, de resgatarmos os nossos carmas e compromissos assumidos antes de reencarnarmos.
Negar e fugir disso não nos levará a nada. É claro que existem outras formas de praticarmos a caridade, trabalhar mediunicamente deve ser uma opção e não uma imposição: cada um com seu carma, missão e vontade.
 
5. É verdade que a pessoa que entra para trabalhar na Umbanda não pode mais sair, porque atrasa a vida?
R: Não, não é verdade. Como também não é verdade que a vida da pessoa em questão vai pra frente se ela entrar para a Umbanda.
O que ocorre é que ao entrar para a corrente de um Terreiro de Umbanda, a pessoa passa a dar vazão e a desenvolver a sua mediunidade, assume compromissos e responsabilidades, se tranquiliza e se harmoniza vibraciona e evolutivamente, ou pelo menos deveria.
O “atraso na vida” da pessoa ocorre porque ela deixa de se equilibrar, evoluir e fazer a caridade. Consequentemente, ela deixa de ter tranquilidade para resolver até o mais simples dos problemas. Mas isso ocorre porque a pessoa saiu do Terreiro, mas não deixou de ser médium e continua recebendo influência do Astral. E se ela não continuar com as suas responsabilidades em ter uma vida regrada, de conduta ilibada e, se não praticar a caridade de alguma forma, receberá maior influência do Astral inferior, segundo a Lei das afinidades.
Que fique bem claro que não é o ingresso da pessoa ou a sua permanência na Umbanda, ou qualquer outra religião, que fará com que a vida da pessoa “ande pra frente” ou que todos os problemas dela se resolverão. Temos que ter a consciência de que é a sua conduta moral, seu desejo de praticar a caridade, de ajudar ao próximo, de buscar a sua evolução que será determinante se ela vai melhorar ou não, é uma questão de merecimento pessoal. A Umbanda, através de um Terreiro sério, lhe dará a oportunidade, o conhecimento e o meio, cabe a pessoa abraçar ou não.
 
6. É, mas uma vez eu ouvi um médium dizer que se ele abandonasse a Umbanda, as Entidades o castigariam? Isso é verdade?
R: Não, a Entidade não faria isso. Certamente, era o médium que, em suas limitações de conhecimento, entendia assim. Na verdade, o que muito provavelmente aconteceria, se fosse em um Terreiro sério e com Entidades sérias, o que a Entidade faria seria aconselhar e alertar o médium quanto ao perigo que ele estaria sujeito ao abandonar a Umbanda ou seu compromisso mediúnico.
Entidade Protetora ou Guia não bate ou castiga seu médium, ela respeita a sua opção e o livre arbítrio que lhe foi outorgado por Deus. Ele não tem ingerência sobre isso.
Como dito anteriormente, o médium, ao se afastar do seu compromisso mediúnico ou do terreiro, não deixa de ser médium. Por isso, de acordo com o que faça da sua vida adiante é o que vai justificar a sua nova condição: se fizer coisas boas continuará recebendo boas influências, mas se levar uma vida desregrada, receberá influências negativas ou ruins.
A Umbanda, seus Guias e Protetores não têm a função de nos punir, mas de nos orientar e amparar.
 
7. O que é um “guia de frente”?
R:É a entidade que chefia a coroa do médium, é o representante direto de seu Orixá Regente. É o responsável em comandar todas as Entidades e Guias que trabalhem na coroa do médium, trazendo as orientações e as ordens diretas do Orixá Regente. São também conhecidas como Mentores. Em alguns Terreiros pode ser também um Preto-velho ou um Caboclo.
 
8. Podem duas ou mais pessoas receber Entidades com o mesmo nome?
R: Certamente que sim. Aliás, isso é bastante comum de acontecer, da mesma maneira que encontramos pessoas com o mesmo nome.
Podemos observar várias Entidades se identificando como: Caboclo Rompe Mato, por exemplo, isso não quer dizer que é a mesma Entidade ou o mesmo Espírito, e sim, são Entidades que trabalham em um mesmo campo vibracional.
Na verdade, se paramos para pensar, o nome é o menos deve importar, mas sim, o grau de comprometimento com a caridade.
 
9. Como é o desenvolvimento de um médium Umbandista?
R: Embora esta questão seja bastante específica e a resposta varie de Terreiro para Terreiro como a maioria das questões sobre ritualística e fundamentos, vejamos alguns pontos que devem ser observados por todos:
a) É fundamental uma avaliação minuciosa do médium com relação a Umbanda e suas próprias aspirações. É de suma importância que ele esteja certo de que é isso que deseja para si e para sua vida, que entenda que a Umbanda é uma religião que o ajudará na sua evolução através da caridade e não é para resolver seus problemas.
b) A Casa que ele escolher para realizar este empreendimento deve estar o mais próximo do que ele acredite, entenda e queira para si. É fundamental que seja uma Casa séria e comprometida com a caridade, ou seja, que seja realmente de Umbanda.
c) As diferentes ritualísticas da Umbanda servem exatamente para atender as diversas aspirações. Por isso, antes de qualquer coisa, ele deve frequentar a assistência assiduamente, observar, envolver-se e pensar bem até ter certeza de que ali é o seu lugar.
d) Cada Casa tem um critério para se fazer parte da corrente, procure saber qual é. Ao entrar para a corrente, deverá seguir rigorosamente as orientações do Dirigente e da Entidade chefe ou das pessoas à sua ordem.
e) Entender que não será umbandista dos portões para dentro do Terreiro, mas sim, de coração, corpo e alma. Deverá dedicar-se, educar-se, doutrinar-se, seguindo as orientações recebidas, sua conduta moral deverá ser constantemente vigiada.
f) Participar de todas as sessões que esteja aberta aos médiuns novos, se dedicar com afinco, buscando sempre melhorar seus pensamentos, desejos e vontades. Buscar, constantemente, a evolução espiritual e moral, para assim poder preparar o seu corpo e mente para ser um bom instrumento para as Entidades Protetoras e Guias.
Buscar tudo isso irá facilitar a incorporação e o desenvolvimento de sua mediunidade; se entregue de corpo e alma, sem medo. É essencial lembrar que é um momento de adaptação, onde tanto o médium, quanto a Entidade, estarão se afinando. Não tenha pressa, o tempo que você levará para incorporar, dar passes, dar consultas, só dependerá de você mesmo, de sua dedicação, empenho e preparo, seguindo as orientações que lhe forem passadas.
 
10. É verdade que homens que trabalham com Entidades femininas são Gays ou podem se tornar?
R: Não, não é verdade. O que determina a preferência sexual de uma pessoa é ela mesma e não a Entidade. Aliás, ninguém tem ingerência sobre este assunto, isso é um pensamento machista e preconceituoso, a Umbanda não se coaduna com pensamentos retrógrados. Ninguém vira ou se torna homossexual, ou ela é ou não é, isso é uma característica dela e deve ser respeitado. O médium é um medianeiro, um aparelho para a espiritualidade trabalhar pela expansão da caridade. Assim sendo, a Entidade não interfere na personalidade do médium, senão todos que incorporassem Ogum seriam guerreiros, e quem trabalhasse com todas as linhas sofreria de personalidades múltiplas. Então, se fosse assim, mulheres também não poderiam trabalhar com Entidades masculinas, pois se tornariam lésbicas.
Temos que mudar esta mentalidade e acabar com o preconceito dentro dos Terreiros. A Umbanda tem lógica e coerência, o que deve realmente interessar não é a preferência sexual do indivíduo, mas o quanto de caridade e amor a pessoa tem para fazer e dar, o quão dedicado à espiritualidade ela o é e o quão envolvida com o astral superior ela esteja.
 
11. Como funciona a hierarquia dentro de um terreiro de Umbanda?
R: Dentro de um Terreiro de Umbanda deve existir organização e disciplina. E para manter essa organização e disciplina deve existir também um sistema hierárquico. Alguns Terreiros dividem-se em parte administrativa e espiritual.
A parte administrativa funciona como uma associação normal, com Presidente, Tesoureiro, Secretários e outros cargos que possam vir a serem úteis na composição de seu estatuto. Já a parte espiritual é comum ser dividida da seguinte forma:
a) Babalorixá e Ialorixá: São os Dirigentes do Terreiro, o Sacerdote (Babalorixá) ou a Sacerdotisa (Ialorixá). É o Responsável espiritual por tudo que acontece nas giras, antes, durante e depois. São também chamados de pais e mães-de-santo. Eles têm a função de cuidar e zelar espiritualmente do Terreiro e dos médiuns, orientar e dirigir os trabalhos abertos e fechados ao público. São os responsáveis em fazer cumprir as diretrizes estabelecidas pelo astral superior.
b) Pai Pequeno e Mãe Pequena: São as segundas pessoas na hierarquia de um Terreiro. Tem como função auxiliar e substituir, quando necessário, o Babalorixá e a Ialorixá. Outras funções específicas variam de Terreiro para Terreiro.
c) Médiuns de Trabalho: São os médiuns que trabalham incorporados, cujas Entidades já dão consulta e já passaram por todos os preceitos do Terreiro, que também variam de Terreiro para Terreiro.
d) Médiuns em Desenvolvimento: São os médiuns que, como o nome já diz, estão em desenvolvimento, ainda não passaram por todos os preceitos da Casa. Em alguns Terreiros, eles podem dar passes, já incorporam uma ou outra linha de trabalho, mas não são autorizados a dar consultas. Estão sendo preparados para se tornarem médiuns de trabalho. Ajudam no auxílio às Entidades incorporadas.
e) Cambonos: São os responsáveis em auxiliar as entidades, esclarecer a assistência quanto às obrigações passadas, coordenar a entrada da assistência nas consultas e passes.
f) Curimbeiro, Atabaqueiro ou Ogã: É a pessoa responsável pela puxada dos pontos cantados e bater palmas ou tocar o atabaque, quando utilizados pelo Terreiro. Sua função é a de ajudar na evocação das Entidades e auxiliar a manter a agrégora positiva da Casa durante as seções. A pessoa que for nomeada Ogã pelo Guia chefe da Casa deve ser alguém que realmente ama a Umbanda e a Casa religiosa em que está, pois ele estará recebendo a incumbência da espiritualidade de defender o Terreiro, o pai/mãe de santo com todo o amor que tiver em sua alma. Perderá o cargo de Ogã aquele que, atraído por maus pensamentos, fizer fofoca ou falar mal da Casa em que o recebeu com carinho, assim como se falar mal de seu pai/mãe de santo, pois estas são as atitudes mais desprezíveis que um médium pode tomar e o faz involuir em seu progresso religioso.
Deixemos bem claro que todas as funções são importantes dentro da organização de um Terreiro e nenhuma é melhor ou pior que a outra. O respeito e a disciplina devem sempre ser elementos básicos da convivência entre todos, deve-se tomar muito cuidado com a vaidade e a inveja, sentimentos que devem ser sempre repudiados por todo e qualquer umbandista.
 
12. O que pode ou não, dentro dos rituais praticados nos Terreiros, serem considerados de Umbanda?
R: Podemos observar a enorme confusão que as pessoas fazem em relação ao que faz ou não parte dos rituais da Umbanda e o que faz um Terreiro ser considerado de Umbanda.
Em primeiro lugar, a premissa básica para que se determine que um Terreiro seja UMBANDA é a caridade que se pratica no local. Não podemos confundir fundamentos, com elementos de rito ou culto. É fundamental estabelecermos algumas premissas básicas para o perfeito entendimento a respeito da diferenciação do que seja “fundamento” de “elemento de rito”.
Fundamento: é tudo que existe, velado ou não, dentro do Terreiro que motiva e direciona os seus trabalhos. Estabelece suas linhas de força trabalhada e cultuada, assim como a missão da Casa. Ou seja, interfere e determina o resultado final dos trabalhos realizados. É estabelecido pelos Dirigentes espirituais. Exemplo: firmezas ou pontos de força estabelecidos no congá.
Elemento de Rito: é tudo que existe, velado ou não, presente ou não, que não interfere no resultado final dos trabalhos e nem na missão da Casa. É estabelecido pelo sacerdote.
Entendido isso vejamos então o que determina realmente se um terreiro é de Umbanda ou não:
a) Na umbanda, o atabaque é elemento de rito, ou seja, a presença ou não do atabaque NÃO interfere no RESULTADO final do trabalho. A gira pode ficar mais alegre, mas o resultado final é o mesmo. As entidades incorporam e fazem seu trabalho da mesma maneira.
b) As roupas (saias rodadas, etc.) são elementos de rito, o fato de serem brancas é que é fundamento, ou seja, se as mulheres trabalham com “baianas” rodadas ou sem roda, ou de jalecos não interfere no resultado final do trabalho. As roupas coloridas podem ser usadas em giras festivas. Vai da preferência do sacerdote.
 
Esses simples exemplos servem apenas para ilustrar, pois é tão fácil e simples saber ou detectar se um terreiro é de Umbanda ou não. Há caridade? Não há sacrifício de animais? Então, é Umbanda. Fácil, não? O resto, ou quase tudo, é elemento de rito.
 
13. Qual a necessidade ou a importância do uso de roupas brancas?
R: A “Roupa Branca” usada pelos médiuns nos rituais de Umbanda deve ser tratada de maneira especial e usada exclusivamente para este fim.
Ela representa a pureza e a simplicidade, além do branco ser uma cor que absorve a vibrações, mas não as retém.
 
14. Qual o objetivo dos banhos de ervas?
R: Tem ervas que são para descarrego, outras para energização e outras com ambas as funções, outras simplesmente preparatórias para algum tipo de trabalho.
Dependendo da necessidade, o médium ou o consulente tomará seu banho de ervas objetivando sempre uma boa harmonização com as forças da natureza, para a consecução dos objetivos propostos.
Os banhos de ervas necessitam de uma ritualística preparatória e não devem ser tomados indiscriminadamente, só devem ser tomados sob orientação da Entidade ou do Dirigente do Terreiro ou de pessoas à sua ordem.
 
15. Porque batemos a cabeça no congá?
R: O “bater a cabeça” é um gestual que representa humildade e respeito, é uma ato de oferecimento de seu Ori (coroa), de reverência e agradecimento à Coroa Regente da Casa e de pedido de bênção.
 
16. E os colares na Umbanda?
R: Os “colares”, os quais chamamos de “guias”, são utilizados para auxiliar a fixação da vibração do Orixá e tem a função de atração ou proteção.
Utilizar ou não, a quantidade de contas e quanto o tipo, varia de Terreiro para Terreiro, conforme a orientação da Entidade Chefe ou do Dirigente.
 
17. Na Umbanda não existe sacrifícios de animais? Mas já vi Terreiros que praticam esses rituais, então eles não são Terreiros de Umbanda?
R: Não, não são Terreiros de Umbanda. A Umbanda anunciada e fundada como religião pelo Caboclo das 7 Encruzilhadas não tem a prática de sacrificar animais.
O que precisa ficar bem claro é que Terreiro que pratica sacrifícios de animais, seja para iniciações, descarrego, oferendas ou qualquer outra coisa, não é um Terreiro de Umbanda, mas sim, outra forma de religião que não nos cabe discorrer sobre.
 
18. Porque fazer firmeza para Exus e Pombas-Giras?
R: Exus e Pombas-Giras são os nossos guardiões e defensores dos ataques do astral inferior. Ao fazermos firmeza para eles, estamos fornecendo pontos de energização e fixação de energia que visam a facilitar este trabalho.
 
19. Como é o trabalho de um Exu e uma Pomba-Gira?
R: Como já vimos, Exus e Pombas-Giras trabalham para a nossa defesa e proteção. Atuam nas regiões umbralinas ou onde sua presença se fizer necessária. São verdadeiros soldados do astral envolvendo os trabalhos de defesa com sua energia equilibradora.
 
20. Qual é a importância de uma gira de Exus?
R: As giras de Exus servem para expurgar, descarregar, encaminhar, para limpeza do terreiro, dos médiuns e de todos os trabalhos de desobsessão do mês. Servem, também, para oportunizar a estas Entidades maravilhosas, através da incorporação e da consulta, sua evolução e na busca de conselhos de assuntos mais de terra.
Não podemos esquecer que eles é que dão o primeiro combate contra as forças trevosas, são eles que nos defendem, que representam e levam as ordens dos enviados dos Orixás aos níveis mais baixos da crosta, são eles os executores dos carmas, que limpam, descarregam e atuam como elementos magísticos no desmanche de trabalhos de magia negra.
 
21. Porque algumas entidades na Umbanda bebem e fumam?
R: A Umbanda, os seus médiuns, os espíritos que nela trabalham e, em particular, os espíritos que trabalham na linha de Exu são alvos de muitas críticas devido ao uso da bebida alcoólica e do fumo durante seus trabalhos.  Essas críticas baseiam-se no conhecimento, com o qual concordamos plenamente, de que o vício e a mediunidade responsável são incompatíveis.
Por isso, a Umbanda é comumente associada a espíritos ainda muito apegados à matéria e/ou a médiuns despreparados e de precária estrutura moral. É claro que temos Entidades que, por estarem em um plano ainda próximo ao da Terra, guardam os vícios de uma encarnação recente, bem como médiuns que se utilizam das Entidades para se embriagarem. Mas isso não é regra, não é porque uma Entidade bebe e fuma que ela é um espírito inferior; o fumo e a bebida também fazem parte da caracterização da Entidade e ajuda na comunicação entre a Entidade e consulentes que, na maioria das vezes, faz associações, por exemplo, um Preto-Velho que fuma cachimbo ou um Exu que bebe marafo são tido como legítimos e, portanto, dignos de confiança e respeito do consulente. Muitas vezes, mesmo pessoas cultas podem levantar dúvidas quanto à legitimidade da comunicação mediúnica quando ela não envolve o uso desses instrumentos de caracterização da Entidade (nos quais se incluem, também, a mudança de voz ou de postura física do médium, embora esses elementos tenham suas devidas funções, como se explicará melhor em outra oportunidade).  Essa caracterização das Entidades é fundamentada em processos culturais desenvolvidos desde os tempos antigos e presentes no surgimento da Umbanda e facilitam que o médium iniciante reconheça e assimile a personalidade da Entidade, permitindo que a Entidade se expresse sem maior influência da sua personalidade, já que o médium se torna mais flexível a uma realidade psíquica estranha à sua.
Dentro do conceito elemental, o fumo é uma defumação direcionada que traz, além do vegetal, os quatro elementos básicos (terra, água, ar e fogo) para trabalhos de magia prática. O Sopro, por si só, traz efeitos terapêuticos e espirituais muito valorosos e eficazes nos trabalhos de cura e limpeza que, somado ao poder das ervas, é potencializado muitas vezes em resultados largamente vistos durante os trabalhos de Umbanda. Já o álcool é do elemento água, provindo de um vegetal (a cana) que se sustenta na terra, altamente volátil no ar e considerado o "Fogo líquido", de fácil combustão. Tanto o fumo quanto o álcool são utilizados para desagregar energia negativa, queimar larvas e miasmas astrais e, no caso do álcool, para desinfetar e limpar no externo e no interno, já que pode ser ingerido.
O fumo, tabaco, o álcool são considerados um "Elementos de Poder", usados há milênios pelos povos indígenas, considerados sagrados e com larga utilização em seus trabalhos de cura. Tudo que é sagrado traz o divino e as virtudes para nossas vidas e, de outro lado, sempre que profanamos algo sagrado atraímos a dor e o vício. Assim, o mesmo tabaco e o álcool que curam em seu aspecto sagrado, também poderão viciar e trazer a dor, quando utilizados de forma profana.

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